O Inexorável Poder do Tempo
19/09/2025Épicos buscam contar a história da jornada que culmina em uma grande batalha para derrotar o mal. Este é o padrão que estamos acostumados, tudo se resolve no enfrentamento do último inimigo e então o mundo entra em um período de paz. Em Frieren essa estrutura é subvertida.
O mundo possuía uma grande ameaça representada pela figura do Rei Demônio, mas ele foi derrotado. Acompanhamos a história que acontece após a batalha, uma vida que existe depois do épico e sobre aquilo que sobra quando o objetivo comum foi atingido. Desta forma, o questionamento é se existe paz, glória e felicidade quando a aventura termina.
Nos primeiros segundos somos apresentados ao grupo que derrotou o Rei Demônio e concluiu a grande missão da humanidade, libertando o povo do perigo e da opressão. Fazem parte do grupo Himmel, o herói, Heiter, o clérigo, Eisen, o guerreiro e Frieren, a maga. Uma composição que os aficionados em RPG conhecem bem, uma estrutura balanceada em que cada indivíduo consegue contribuir com uma fortaleza específica para o todo.
Este grupo está em retorno. A conversa entre eles não é sobre a guerra que venceram, nem mesmo sobre as lutas emocionantes até alcançar o objetivo. Na verdade, são causos do cotidiano, coisas banais e algumas conjecturas do que poderão fazer agora que cumpriram o dever de livrar o mundo do mal. Este pequeno momento de diálogo já dita a estrutura narrativa adotada pela série. Não é sobre batalha, é sobre conexão.
Do grupo, Himmel e Heiter são humanos, enquanto Eisen é um anão e Frieren é uma elfa. Dado isto, Himmel e Heiter possuem expectativas de vida mais curtas, enquanto Eisen é um pouco mais longevo. Porém, Frieren herda de sua raça uma existência que beira a imortalidade. Durante seus mil anos, a maioria passou sem muitas preocupações e anônima do mundo, até ser recrutada por Himmel para a derradeira aventura.
Tempo, este é o grande condutor da história. Logo após sermos apresentados ao grupo retornando da viagem de 20 anos para derrotar o Rei Demônio, outros 50 anos se passam. Para Frieren, que saiu sozinha a caminhar sem um grande objetivo, foi apenas um pistar de olhos. Para os outros membros o jugo do tempo foi mais pesado. Após 50 anos gastando seu tempo à toa, ela retorna para se encontrar com eles e cumprirem a promessa de assistir um certo evento natural, uma chuva de meteoros.
Himmel já está bem velho e não lembra nada o herói que conhecemos poucos minutos antes. É um choque para Frieren (e também o espectador), que percebe o quanto um piscar de olhos para ela foi uma vida inteira para seu companheiro de grupo. Heiter também já está mais velho, apesar de em melhor estado do que Himmel. Também Eisen já não possui mais o mesmo vigor.
Apenas Frieren ainda possui capacidade para encarar uma jornada, mas ainda assim os quatro partem juntos em direção ao local em que poderão admirar o evento. A viagem é tranquila e eles chegam ao local para observar a passagem da chuva de meteoros. Uma bela visão, uma contemplação que Himmel agradece por poder presenciar uma última vez com seus amigos. Ali, naquele lugar, afastado da cidade e em viagem, o grande herói Himmel tem seu último suspiro.
Durante toda a sua vida, Himmel foi um símbolo de esperança, uma luz e um ideal para as pessoas. Enquanto estava vivo foi o elemento unificador da paz, uma representação de que o mal não teria forças naquelas terras. A sua morte marca não só o início da história que acompanharemos, mas também, de certa forma, fornece moral para os demônios sobreviventes começarem a se movimentar. Com a queda do herói, ícone da humanidade, sua presença se dissipa e restam apenas as memórias que o povo carrega.
Frieren, a elfa que viveu por tantos anos e foi incapaz de compreender as emoções, diante do enterro de seu velho amigo, chora subitamente. Ela não entende direito o que sente, apenas percebe que algo está vazio e que não há como resolver. Sofrimento, culpa e remorso, tudo atinge a maga ao mesmo tempo. Se ela tivesse buscado conhecer mais sobre Himmel ela poderia ter aproveitado melhor o tempo, mas ela só andou sem objetivo por 50 anos.
Apesar do impacto, Frieren ainda não compreende totalmente a finitude do tempo. Por não compreender e como parte dos seus mecanismos de defesa emocional, sai novamente em jornada com seu passatempo de coletar magias diversas. É um escapismo, uma fuga, que funciona por um tempo. Em determinado momento, por ironia do acaso, Frieren encontra um objetivo por meio de uma pequena esperança transcendental: a possibilidade de se comunicar com a alma dos mortos.
Ainda inundada pelo arrependimento, Frieren se agarra nesta possibilidade. Agora a sua jornada possui um objetivo, chegar ao lugar onde as almas descansam e se encontrar com Himmel, no intuito de falar para ele o que não foi capaz de dizer por não dar importância para às relações. O herói não foi um símbolo apenas para o povo, mas também para ela. Sem saber, aqueles anos que passou com ele mudaram sua vida e seu modo de pensar radicalmente, só foi preciso tempo para que ela compreendesse.
O caminho é longo e agora existem perigos devido à movimentação dos sobreviventes que estavam sob liderança do Rei Demônio. Felizmente ela possui tempo e encontrará novos companheiros para acompanhá-la no destino. Alguns serão permanentes, outros passageiros, porém ela não cometerá os mesmos erros da primeira viagem. Assim, com o grande objetivo definido, Frieren parte aos poucos em direção a ele, acompanhada das memórias de um tempo que não volta.
As pessoas do passado
A aparição mais antiga de Frieren é sozinha, em um vilarejo de elfos dizimado por demônios. Ela é salva pela grande maga Flamme, uma humana, que a toma como aprendiz. Flamme percebe algo que ninguém viu em Frieren, um diamante bruto em meio ao acaso. Este é um primeiro aceno da obra de que pessoas incríveis geralmente estão anônimas diante da multidão.
O acaso reúne Flamme e Frieren. A grande maga decide treinar Frieren para que, um dia, ela possa salvar a humanidade da tirania do Rei Demônio, já existente naquela época. As lições da mestra não são tão relacionadas a técnica mágica, mas sim voltadas para criar em Frieren um arcabouço comportamental que a sustentará rumo ao futuro. Flamme aposta que Frieren, aquela elfa desconhecida, possui o que seria necessário para derrotar o Rei Demônio e criar uma era de paz. Um palpite acertado.
Com a morte de Flamme, Frieren retorna para a solidão e anonimato. Mil anos se passam e novamente o acaso se apresenta. Enquanto caminhava pela floresta, ela encontra um menino perdido. Sua apática frieza inicialmente o assusta, mas ela se recorda de uma certa magia inútil que sua mestra lhe ensinou, uma que cria um campo de flores. Esta magia boba, sem poder bélico para subjugar um oponente, acalma o menino que então consegue retornar para sua aldeia. O garoto que volta para casa possui uma visão diferente sobre o mundo e sobre a magia. Nasce nele o desejo de proteger esta beleza que ele encontrou, que é capaz de criar flores e não somente matar. Irrompe da casualidade do destino o grande herói Himmel.
O entrelaçamento de coincidências é outro aceno para a grande tese de que pessoas comuns, sem nome ou lastro, são capazes de realizar imponentes feitos. O que impede a execução da potência destes indivíduos é uma sociedade que valoriza em excesso às aparências. Flamme comenta sobre esse mundo de imagens com Frieren, que se aplica a humanos e também demônios. Mesmo sendo uma grande maga, ainda lhe faltava algo, pois o papel que precisava representar na sociedade era incompatível com aquele que representado pelo salvador do mundo. Ela era poderosa, mas não era uma heroína.
Nunca foi questão de força e sim complementariedade. Flamme percebe que as grandes mudanças são resultados de uma tênue e instável relação entre fraquezas e fortalezas. Ela aproveita da longevidade de Frieren para a lançar ao futuro, na esperança que o tempo e a aleatoriedade executem suas funções de unir as pessoas certas.
Himmel não se encanta com o poder de Frieren, mas com sua diligência. Da mesma forma ele não espera que Heiter seja imaculado, ou que Eisen seja intrépido. O grande herói não buscou os perfeitos e nem os melhores, mas as pessoas certas que se complementam em algum ponto. Percebemos isto na jornada deles, preenchida com momentos de partilha e debates para desenvolver estratégias e superar as adversidades. Isto cria uma união entre eles, de saberem que estão juntos e podem confiar no outro para cobrir as próprias fraquezas.
Por isto, não é um grande indivíduo que derrota o Rei Demônio, mas um grupo de pessoas alinhadas em um mesmo objetivo e comprometidas umas com as outras. Uma formação composta por anônimos. Frieren que se excluiu do mundo e viveu em silêncio. Himmel, um órfão que brinca de ser um herói de mentira. Heiter, outro órfão que acumula vícios pouco vistos em clérigos. E Eisen, um anão covarde que fugiu da sua vila quando ela foi atacada.
Se a história de repete, o que aguarda Frieren em sua nova jornada também são pessoas que se assemelham ao grupo que pertencia. Seja por acaso ou empirismo, na sua caminhada para reencontrar a alma de Himmel ela encontrará anônimos excepcionais que fará, assim como Flamme fez com sua aprendiz, que sejam capazes de demonstrar sua potência.
As pessoas do presente
Fern é a primeira pessoa que se junta para a nova jornada de Frieren. Ela é uma órfã humana resgatada por Heiter, que se aposentou da vida de clérigo após a morte de Himmel e vive em uma cabana afastada da cidade. Nesta vida simples, ele encontrou, por acaso, uma criança que perdeu a família e decidiu criá-la, afinal era isso que Himmel, o herói, faria.
Apesar de ser um clérigo, Heiter identificou que Fern possuía talento para magia. Ele não foi capaz de ensinar muita coisa, mas com um pouco de astúcia, conseguiu fazer com que Frieren a treinasse. Com isso, Fern se torna aprendiz de Frieren e segue a jornada com ela após a morte de Heiter.
A relação entre as duas extrapola a de mestre e aprendiz, uma vez que Frieren acompanha Fern desde criança até a atualidade, em que já é adulta. Por se arrepender de não ter se esforçado para conhecer mais as pessoas, Frieren age diferente com Fern. Do jeito dela se dedica em tentar compreender os sentimentos da aprendiz o que culmina com ela reinterpretando os momentos que passou com seus companheiros.
Neste contexto, Fern é a humanidade de Frieren, mesmo com seu jeito introspectivo e puco expressivo. A menina cresceu desprovida de orgulho e se devotou para a magia completamente. Para ela, ser uma maga era a única forma de garantir o seu direito de viver, recompensando Heiter por acolhê-la e Frieren por treiná-la. Os dois fazem muito por ela, mas não conseguem fornecer bases sólidas dos relacionamentos triviais da sociedade.
É a chegada de Stark, o guerreiro, que permite a Fern criar mais experiências em relação às pessoas e também criar para si justificativas além da magia. Enquanto com Frieren tudo que ela poderia fazer era relacionado com a magia, ao ter alguém como Stark por perto ela percebe que existe companheirismo no cotidiano. Assim como Frieren experimentou uma gama de interações banais com Himmel, Heiter e Eisen, Fern experimentará o cotidiano além da seriedade das batalhas junto de Stark.
Stark é o aprendiz de Eisen, mas nessa nova jornada ele não representa um papel semelhante ao mestre. Apesar de ser um guerreiro relativamente poderoso, ele é extremamente inocente. Sua personalidade ainda é a de um garoto bobo, que vê o mundo sem nenhum tipo de malícia. Isto faz dele uma pessoa ruim em identificar subjetividade, o oposto de Fern.
Na nova jornada, Stark é a conexão pura e orgânica. Fern e Frieren passam pelos lugares, mas não conseguem se relacionar com as pessoas da forma como Himmel fazia. Em outras palavras, elas são incapazes de criar memórias verdadeiras durante a caminhada. Este papel é feito por Stark. Em todas as cidades e vilarejos, ele faz as atividades ridículas de uma viagem como ajudar pessoas a carregar peso ou brincar com crianças na praça.
Importante pontuar que Stark é diferente de Himmel. Apesar da execução do trabalho de conexão, o grande herói nunca foi inocente. Pelo contrário, era extremamente audacioso e sagaz, compreendendo o mundo desde a mais simples manifestação até a mais complexa subjetividade da vida e relacionamentos. Himmel é um ideal, ou pelo menos foi assim cultuado, que dificilmente será superado.
Essa diferença entre Stark e Himmel é também uma forma de demonstrar que são membros diferentes para tempos distintos. Apesar de Frieren ainda ter várias memórias e, em certo grau, estar presa ao passado, ela busca o futuro. Nesta viagem com Fern não é necessário outro Himmel, que cumpria uma função de farol em um mundo sem esperança. A busca não é por fé em um futuro melhor, mas sim de conexão com o presente. Para isto, Stark é o suficiente.
O fantasma da morte
A última aventura do grupo de heróis que derrotou o Rei Demônio é contemplativa, mas, ao mesmo tempo, dolorosa. Eles partem para o local em que poderão contemplar o evento dos meteoros sem equipamentos e em ritmo desacelerado. Ainda agem como grupo, em que cada um executa o seu papel para se livrarem dos perigos, mas visivelmente estão fracos.
Himmel em especial já demonstra estar muito mais cansado. Não sabemos ao certo como os 50 anos se passaram ou se algo aconteceu com ele no passado para que ele tivesse sua vitalidade tão atingida (há um pequeno indício de ser resultado de ele ter guardado um item perigoso para Frieren, porém não é realmente desenvolvido). De toda forma, sabemos que o herói está em seus últimos momentos e esta sombra nos atormenta durante a pequena jornada.
Assim que Himmel é enterrado e o grupo se separa novamente, Frieren questiona os demais sobre a morte. Com as respostas de Heiter e Eisen nós percebemos que os mortais do grupo de heróis estão aparentemente libertos do medo de morrer. Não é questão de cinismo, mas sim de que eles acreditam terem cumprido as missões da vida de cada um, estando em paz com a própria finitude que lhes aguarda.
Infelizmente o destino é implacável e um tanto sarcástico. Ao decidir adotar Fern, Heiter aprende uma lição que Himmel levou para o túmulo: ao se importar com alguém, a realidade de que precisará deixar a pessoa sozinha é mais amedrontadora do que o exército do Rei Demônio. Heiter passa a se preocupar com sua morte não por apego ao ato de viver, mas porque percebe que Fern é muito jovem para sobreviver sozinha e passar por outra perda.
Himmel se importava com Frieren e um dos seus medos era que ela se sentisse sozinha no futuro, quando não existissem mais amigos ao seu redor e ninguém se lembrasse dela. Ele não pode fazer muita coisa por reconhecer sua finitude frente ao tempo dela, então decide criar memórias e cristalizá-las. As estátuas e aventuras ridículas são formas de utilizar as emoções para criar uma espécie de cápsula do tempo para Frieren. Mesmo que ele se vá, deixará para trás memórias felizes e acolhedoras que não a deixarão sozinha.
Para garantir um futuro para Fern, Heiter usa da sagacidade para enganar Frieren, fazendo-a treinar a pequena criança enquanto cumpre uma atividade que ele sabe o resultado. A função de decodificar um livro antigo não é importante, trata-se de um pretexto para fazer com que Frieren fique por um longo tempo e não desconfie de nada. Ao conceder uma mestra para Fern, ele confirma o futuro dela e com isso pode morrer em paz, assim como Himmel.
A morte de Heiter não é trágica como a de Himmel, uma vez que Frieren não comete o mesmo erro de não se importar com o pouco tempo de vida dos humanos. Ela consegue se despedir do seu companheiro com um sorriso e não com lágrimas.
O tema da morte não se finaliza com os dois membros do antigo grupo de heróis que deixam o mundo. A longevidade dos elfos é retomada ao longo da narração, em especial quando conhecem Kraft, um monge elfo. Se Frieren é assustadoramente velha, com pelo menos mil anos de vida, sequer conseguimos imaginar há quanto tempo Kraft caminha pela terra, uma vez que ele a chama de jovem.
Com Kraft percebemos que a vida eterna é uma sina para os elfos, pois essa falta de urgência remove toda a sensibilidade da raça, o que eventualmente levará a própria extinção da espécie. Quanto mais tempo vivem, mais se tornam apáticos em relação a própria existência. Não sabemos sobre o passado de Kraft, apenas supomos que ele possa ser um herói esquecido de tempos não registrados. Esta suposição se dá pelo encontro de uma estátua de pedra sem inscrição, que alguns dizem serem a representação de heróis do passado desconhecido. A fisionomia do elfo lembra Kraft, isto é tudo.
De todo modo, Kraft representa outra face da morte. Uma existência que não se extingue biologicamente, mas não existe mais socialmente. Já não existem memórias sobre ele, todos os que o conheciam já desapareceram e ele não possui mais ligação com o mundo, apenas caminha sem um destino claro porque ainda respira. Está, simbolicamente, morto.
Com Kraft somos questionados sobre a durabilidade do conhecimento sobre o grande herói. Por quantos anos Himmel será lembrado? Nós aceitamos que as memórias são a vida de Himmel que continua com Frieren e que durarão para sempre considerando que a elfa pode viver eternamente. O medo da morte assume uma dimensão diferente, em que acontece a morte das lembranças, que até então acreditávamos serem eternas.
Esta situação é tão assustadora que Kraft apenas pode se agarrar na fé que existe uma deusa para acolher as almas dos que se foram. O diálogo entre Kraft e Frieren é exotérico entre alguém que perdeu todas as referências da vida, precisando se sustentar pela fé, e alguém que está se debatendo para não perder as memórias que dão um sentido na sua existência. Apenas o tempo poderá revelar o destino de Frieren.
Mentiras grandiosas e verdades ridículas
A obra, ao abordar temas como tempo e morte, invariavelmente se utiliza das memórias para pontuar o impacto dos conceitos abstratos no cotidiano. Podemos separar as lembranças presentes na narrativa em dois tipos: as contadas pela sociedade na totalidade e as recordadas por pessoas comuns.
As memórias da sociedade são os mitos em relação ao grupo de heróis que derrotou o rei demônio, com um foco maior sobre Himmel, o herói que se tornou o símbolo de esperança e vitória para a humanidade. Estas histórias, por serem mitos, são fabricadas para inspirarem e nem sempre precisam ser verdadeiras. Aqui está a lenda da Espada do Herói, que não só demonstra o poder do mito como humaniza Himmel e desconstrói a imagem de perfeição.
Naquele mundo, existe uma espada mágica de grande poder que é, pela lenda, a espada destinada para aquele que salvará a humanidade. Semelhanças com Excalibur não são coincidências, dado que a Espada do Herói, que concederá o poder necessário para destruir os demônios, está fincada em uma pedra e somente o verdadeiro herói será capaz de retirá-la.
Muitos que saíram em jornada visitaram o local para tentarem remover a espada da pedra, mas nenhum deles conseguiu. Todavia, Himmel é demonstrado em todas as recordações em posse da Espada do Herói. Stark conheceu a história de como ele conquistou ela da sua vida antes do treinamento com Eisen, porém curiosamente, Fern nunca escutou isto de Heiter.
Em determinado momento na nova jornada, Frieren, Fern e Stark chegam ao local onde a Espada o Herói ficava e a verdade é revelada pela maga. Himmel não conseguiu retirar a espada, aquela que ele portava era uma réplica sem nenhum tipo de poder. Ele, desde o começo, não era aquele destinado a salvar o mundo, mas decidiu, mesmo sendo um herói de mentira, derrotar o Rei Demônio e trazer a esperança para as pessoas.
Esta passagem revela muito sobre como Himmel se dedicou ao papel de herói. Seus companheiros são os únicos que conhecem o humano que viajou e se divertiu, mas a partir do momento que a aventura termina e o mal é derrotado, ele deixa de ser uma pessoa para se tornar um símbolo. Neste processo, toda a sua memória é romantizada e seu passado forjado para ser incorruptível. A pessoa Himmel morre e sobrevive apenas a lenda. Ou deveria ser assim.
Neste ponto entram as memórias das pessoas comuns. Durante a viagem, Himmel sempre gastava tempo com trivialidades, desde auxiliar um idoso a carregar coisas até resolver pequenos conflitos nas remotas aldeias. Todas eram atividades que não ajudam em nada no objetivo do grupo de derrotar o Rei Demônio, sendo muitas vezes até um atraso. Acontece que ao fazer isso, Himmel cria uma história do humano que será contada pelas pessoas e que inspirará esperança.
A esperança gerada pela lenda Himmel só foi possível após o final da guerra, mas durante o caos eram as interações bobas que realizava por onde passava que garantiam conforto para as pessoas que viviam no cotidiano enfrentando os perigos. Para além do resultado imediato, foram essas memórias ridículas, como descritas pelos outros membros do grupo, que fizeram o humano Himmel ser lembrado após a lenda.
Essas histórias de trivialidades, em que o grande herói ajuda alguém a carregar suas compras, brinca com crianças, ajuda no trabalho de algum morador e outras é que formaram uma legião de boas pessoas. Stark é resultado dessa influência, das histórias idiotas que o povo conta. Sem perceber, é comum para ele sair pela cidade ajudando as pessoas apenas para contribuir um pouco, tal como faria Himmel, o herói.
Frieren também carrega memórias triviais e mais importantes ainda, que desmistificam a força do herói e dos outros membros do grupo. As memórias triviais que apenas os quatro conhecem são os preparativos para batalha. Estas são ainda mais desconhecidas, mas revelam que eles não eram poderosos de modo a enfrentar qualquer desafio de frente. Eles conversavam e planejavam, apoiavam suas estratégias nas fortalezas e fraquezas de cada um, demonstrando a capacidade de trabalho em equipe que não é ensinado pelas lendas.
Durante os eventos da certificação mágica, Frieren passa essas memórias bobas sobre trabalho em equipe para frente. Os ensinamentos que Himmel não pode passar por precisar executar o papel de herói inabalável ela assume a responsabilidade de ensinar. Todo o arco em que se envolve com outros magos é como uma grande escola em que Frieren ensina não magia ou poder, mas algo que aprendeu com Himmel, a colaboração em função de um objetivo em comum.
Por fim, de todas as memórias bobas que não estão relacionadas com poder e glória, a magia que cria um campo de flores, a favorita de Flamme, é a responsável por mudar o mundo. Sem ela, Himmel jamais teria se apaixonado pelo mundo e decidido salvá-lo. No fim, sãs as memórias do cotidiano que verdadeiramente criam aqueles capazes de transformar a sociedade. As lendas que surgem depois são deleites para o futuro, mas não são elas capazes de fundamentar os caminhos da mudança.
A presença do tempo
Dos temas tocados em Frieren, o conceito de tempo possui um destaque especial. Acompanhamos a história por meio da visão de mundo da maga elfa que, devido à sua longevidade, percebe a passagem do tempo diferentemente de seres mortais. A promessa do primeiro episódio é algo trivial para ela, afinal um reencontro após 50 anos é como um piscar de olhos para ela.
Por não se importar com o tempo, Frieren não possui sentido de urgência e não se importa de vagar sem rumo com nenhuma preocupação a respeito da passagem dos anos. Ao reencontrar Himmel velho, todo o tempo que passou sem fazer nada de importante, sem se aproximar dele e dos outros companheiros, chega como um golpe no estômago. Sua inação custou caro, porque agora ela não poderá mais se preocupar com o herói, pois ele está morto.
A simbologia do tempo não é algo que influencia apenas a Frieren, mas também o mundo, uma vez que as datas passam a ser contadas como tantos anos após a morte do herói. Os intervalos de tempo são longos e Frieren viajará por 20 anos depois da morte de Himmel até decidir se encontrar com Heiter. O acaso permite que ela chegue antes da morte do clérigo, que aproveitará o presente do destino para criar um futuro para Fern, utilizando os últimos anos de vida para prender Frieren como sua mestra.
O simbolismo do tempo se faz presente na execução da nova jornada de Frieren, em que cada acontecimento representa uma longa passagem de tempo. Frieren conhece Fern criança, que possui por volta de 8 anos, mas ao final dos episódios ela já está próximo dos 20 anos. As passagens pelas aldeias levam meses, principalmente nas estações de inverno que bloqueiam a viagem pelas intempéries. Isto não tem como função criar uma vagarosidade na narrativa, mas sim reafirmar o peso exercido pelo tempo sobre os personagens.
Existem outros exemplos do poder exercido pelo tempo ao longo da história. Flamme, a grande maga ainda cultivada como a precursora da magia e mestra de Frieren, viveu 1000 anos no passado e tudo o que restaram foram lendas e suposições sobre ela. Frieren em alguns momentos se recorda da mestra e avalia como a memória que possui dela não condiz com as histórias que contadas pela sociedade.
O encontro com Kraft, o elfo monge, é outro ponto de reforço sobre a força incontrolável do tempo. Até então pensamos que Frieren é o ser mais antigo naquele mundo, mas Kraft a chama de jovem. Além disso, tudo que se sabe sobre ele é uma conjectura, criada a partir do encontro com uma estátua de pedra do passado desconhecido e que por milagre resistiu até os dias atuais. As feições da estátua lembram vagamente Kraft, mas ele mesmo não comenta sobre e o que percebemos para o caso dele é que o tempo não deturpou as suas histórias e sim as apagou. Ninguém mais se recorda dele ou dos seus feitos.
Esta provocação não fica presa ao caso de Kraft, pois em determinado momento Frieren se questiona por quanto tempo as tradições e celebrações ao grande herói Himmel continuarão vivas. Passaram-se aproximadamente 80 anos e a memória de Himmel continua viva, apesar das manipulações feitas para a criação da lenda. Ainda existem os velhos que guardam as memórias ridículas da jornada, passando-as para os mais novos, mas os mais novos passarão estas mesmas memórias para frente? Em quanto tempo a conexão que Himmel se esforçou em criar com as pessoas será extinta?
Talvez o mais agonizante destas perguntas esteja no fato de que aceitamos a fatalidade do esquecimento. Nos apegamos aos personagens, em especial no símbolo de esperança que Himmel representa, o que torna doloroso estar diante do iminente esquecimento que ele sofrerá, o que nos faz duvidar se todo o esforço valeu a pena, já que até mesmo as memórias são passageiras. Isto inclui uma dimensão existencialista que agreda mais significado para a história contada.
Utilizando a filosofia do absurdo como gancho, temos a especialização mágica de Frieren. Ela passa seus 1000 anos de existência treinando uma habilidade que não possui nenhuma finalidade prática. A supressão do seu poder mágico tem como único efeito fazer com que a subestimem, garantindo pequena vantagem momentânea nas batalhas devido à arrogância dos seus oponentes. Um treinamento que possui uma utilização muito restrita, capaz de abrir apenas uma diminuta brecha nas batalhas.
Em determinado momento, Frieren se recorda da sua mestra comentando que em determinado momento ela se arrependeria de usar mal o tempo disponível com os outros. O instante mais emblemático sobre este arrependimento é uma pequena memória mostrada em flashback. Após a vitória do grupo, durante o caminho para casa, Himmel deseja comprar um presente para Frieren que, sem interesse em algo diferente de magia, escolhe um simples anel que encontra.
A escolha aleatória de Frieren é o suficiente para Himmel perceber que ela não possui interesse, porém ele percebe a ação do acaso. Ela escolhe um anel com uma flor de lótus, que possui um significado de devoção naquele mundo. A elfa não reconhece a interpretação dada, mas o humano sim. Himmel compra o anel para Frieren e o coloca em seu dedo diante de uma torre do relógio. Ele jura cuidar dela, mesmo que o tempo esteja entre eles. A determinação do herói não se limita a sua função na sociedade, mas também se estende às pessoas que ama.
Também vai ser o acaso, quando ela perde o anel durante a viagem, que acabará revelando o significado da ação de Himmel que ela não compreendeu no momento apropriado. E novamente ela percebe que sua mestra estava certa sobre o futuro. A época do arrependimento de não ter aproveitado as relações quando teve oportunidade chegou e o arbítrio do tempo é pesado demais.
Cuidado do passado para o futuro
Frieren possui uma característica que é apresentada e reforçada durante toda a história: o seu passatempo de coletar magias diversas e aparentemente ridículas, como limpar estátuas de bronze e fazer raspadinha. Inicialmente acreditamos que se trata da peculiaridade de alguém que já viveu por muito tempo e desenvolveu uma atividade para ocupar a mente, mas ao conhecermos o passado dela e de sua mestra podemos traçar outra origem.
Flamme foi a grande maga considerada como a precursora da magia. Antes dela, apenas algumas pessoas escolhidas e desenvolvidas desde a juventude conseguiam se tonar magas. Ela entra para a história como alguém que expandiu os horizontes da magia, espalhando-a entre todos, desde os poderosos até o mais simples morador de uma vila do interior. O sonho de Flamme era libertar a magia e as pessoas, para que qualquer pudesse usufruir deste mundo de possibilidades e imaginação representado pela mágica.
Frieren desenvolve essa vontade de caçar magias diversas porque a sua mestra espalhou a magia de forma irreversível, dando a possibilidade até mesmo que pessoas comuns, além de magos habilidosos, criarem magias para os mais variados fins, como lavar roupa. Trata-se de uma atividade que só pode existir devido à ação da sua mestra, um passatempo que também é uma pequena lembrança de que a sua mestra concluiu o sonho dela.
Existe no sonho de Flamme uma dimensão de cuidado com o futuro. Ela conhece a sua mortalidade, sabe que não viverá o suficiente para presenciar a liberdade da magia para todos, assim como não conhecerá a época de paz após a derrota do Rei Demônio. Mesmo assim ela pensa adiante, prepara Frieren e organiza política e socialmente a democratização da magia por meio das escolas que apoia.
De modo semelhante, esta dimensão de cuidado também está presente em Himmel. Durante a viagem ele ajuda pessoas comuns em problemas triviais para criar memórias afetivas, que confortam e geram esperança. As estátuas executam um papel semelhante, mas tendo Frieren como principal desígnio. Himmel possui total consciência que o tempo separa-o permanentemente dela; por isso, escolhe cuidar para que ela tenha um futuro não tão solitário.
Após a aventura, Himmel continua exercendo o cuidado para com as pessoas. Mesmo envelhecido e aposentado ele passa pelos locais em que podem existir riscos de uma nova fatalidade. Ele não tem força para lutar, mas possui diligência para cuidar e falar com as pessoas. Mesmo idoso, ele ainda era o herói e o foi até o último suspiro.
Mudando a sociedade
Ao sair do núcleo duro da jornada de Frieren, uma figura ganha destaque na narrativa e no mundo: a grande maga Serie, uma elfa que dominou toda a magia e ninguém sabe ao certo por quanto tempo está viva. Serie foi a mestra de Flamme, mas sua filosofia sobre a magia é o completo oposto. Enquanto Flamme busca a ampla divulgação, Serie é aristocrática e defende que a magia deve ser acessível apenas para os mais aptos.
A visão da Serie faz com que ela busque por pessoas extraordinárias, dignas de serem treinadas para atingirem o maior pico de poder proporcionado pela magia. Mas ela não se esforça muito para procurar, afinal carrega toda a apatia dos elfos. Com isto, ela deixa nas mãos de terceiros a responsabilidade de encontrar magos habilidosos.
O reencontro com Frieren provoca uma pequena perturbação no status quo que Serie mantinha por séculos. Para prosseguir a viagem, passando por certas localidades, existe uma burocracia que o grupo precisará cumprir. Será preciso uma certificação concedida pela instituição comandada por Serie, que atesta a habilidade de pelo menos um mago membro do grupo, de que está apto a viajar pelos locais que estão em conflito, gerado pela movimentação dos demônios após a morte do herói.
A obtenção da autorização segue um clichê bem comum em obras de aventuras, mas o importante é como Frieren é utilizada. Obviamente que ela é poderosa e poderia passar pelos perigos sem a menor dificuldade, Serie reconhece isso e todo esse embrolho parece uma grande piada. Desta forma, por baixo dos panos, o último arco se torna uma disputa de ideias entre Frieren e Serie.
Existe um teste para qualificar magos, que Serie terceiriza a execução para seus aprendizes. Este sistema funciona por anos como uma espécie de filtro, que seleciona apenas aqueles indivíduos que atingem critérios mínimos de qualidade determinados por estes avaliadores. O questionamento é simples: tais critérios realmente são eficientes?
Uma das grandes provocações na obra é de como pessoas incríveis estão ocultas em meio à multidão, já que se destacar não possui uma relação de causa e efeito com ser bom em algo. Os magos selecionados pelos aprendizes de Serie certamente são incríveis, mas não são os únicos. Muita gente se perde pelo caminho porque a avaliação é antiquada e permite apenas aqueles que seguem alguns padrões específicos avançarem.
Frieren funciona como uma trapaça. Seu poder é absolutamente superior a tudo que os aprendizes de Serie podem pensar, por isso ela supera todas as provações sem dificuldade. Ma ela não faz isso sozinha. Ela herda de Flamme a filosofia de que a magia precisa ser livre e cria, durante todo o processo de certificação, situações em que os magos ali presentes possam demonstrar suas qualidades, mesmo diante da visão restrita dos avaliadores, herdada de Serie.
Ela também repassa para estes novos magos aprendizados que ficaram retidos no grupo de heróis, sobretudo a forma de discutirem e se organizarem juntos para superar desafios. Frieren era alguém que resolvia quase tudo na força bruta, algo típico de magos poderosos como Serie, mas ao se relacionar com Himmel ela modifica um pouco a própria personalidade. Importante recordar que ela não é a maga mais forte do mundo e não conseguiria derrotar o Rei Demônio se não estivesse junto de seus companheiros.
Assim se apresenta o maior contraste entre as ideias de Frieren e Serie. Esta ainda acredita na excelência individual, no puro poder bruto, e busca por alguém que possa alcançar patamares cada vez maiores. Por outro lado, Frieren percebeu que a colaboração permite que ela atinja objetivos que no momento parecem impossíveis. Este é um dos motivos pelo qual Serie nunca enfrentou o Rei Demônio, ela simplesmente não conseguia conceber na sua mente que uma batalha um-contra-um resultaria na sua vitória certa.
Após a interferência de Frieren, que provoca uma aprovação em massa, Serie resolve se envolver e avaliar pessoalmente cada mago que solicita a certificação. Alguns são imaturos, precisam de mais tempo, porém muitos a surpreendem. Ao deixar de lado a apatia e avaliar com mais cuidado as capacidades de cada pessoa, Serie ao mesmo tempo que se sente gratificada por encontrar indivíduos com potencial, também se revolta por ser vencida pela ideologia de Frieren e, por consequência, de Flamme.
Podemos traçar uma semelhança entre Serie e Kraft, ambos elfos que estão vivos por uma quantidade surreal de tempo. Enquanto Kraft perde o objetivo de viver e apenas caminha com fé, Serie se apega com todas as forças na sua filosofia de poder que sempre escala, afinal é possível aparecer no futuro alguém que supere o máximo da atualidade. São mecanismos de defesa para traçar um objetivo por pessoas que viveram demais e viverão ainda mais.
Talvez o jeito de Serie seja a forma que ela encontrou para não se sentir sozinha e esquecida como Kraft. Mesmo sendo ríspida com seus aprendizes, nunca deixou de apreciá-los. Em uma confissão ela revela que se lembra de todos o que acolheu, mesmo que por capricho. Ela se recorda dos rostos, das emoções e magias favoritas de cada um. No fim, mesmo que nenhum deles tenha atingido o pináculo da magia, ela não se sente frustrada. Até mesmo a maga mais aristocrática do mundo não suporta a solidão e o arbítrio do tempo.
Arcos
Ao considerar que Frieren possui uma história difusa, contada por meio dos detalhes, flashbacks e da passagem do tempo, é importante registrar a cronologia de acontecimentos durante os episódios.
Os episódios de 1 a 4 possuem a função de apresentação dos personagens e a fixação do objetivo da nova jornada de Frieren. Os principais acontecimentos são a morte de Himmel, o encontro com Heiter, o treinamento de Fern (desde os fundamentos até habilidades de batalha), a primeira menção da magia que cria um campo de flores e o encontro com Eisen, que revela o único grimório verdadeiro de Flamme, este que versa sobre a possibilidade de conversar com os mortos.
Os episódios 5 e 6 são a apresentação de Stark, que será a linha de frente do grupo de Frieren e Fern. Constrói-se o relacionamento entre Fern e Stark, uma dicotomia entre a menina pragmática e o garoto inocente que vê o mundo com pureza. Nestes episódios também se demonstra como Stark, por ser uma pessoa naturalmente boa, consegue interagir bem com as pessoas comuns, complementando a falta de conexão que o grupo de Fern e Frieren possuía.
Os episódios 7, 8, 9 e 10 representam o primeiro grande arco, em que a relação entre demônios e humanos é trabalhada, junto da aparição de uma poderosa sobrevivente do passado, Aura. É a primeira demonstração de poder por parte de Fern e Stark, que precisam enfrentar oponentes fortes e passam por dificuldades. É importante destacar a definição de demônio no mundo de Frieren, pois eles são apenas monstros que imitam a fala humana para poder caçar mais facilmente. Eles não compreendem o significado das palavras, apenas aprenderam que usar elas fazem com que consigam manipular os humanos.
O episódio 11 é o início da viagem para o norte, passando por um inverno rigoroso. No caminho o grupo encontra Kraft, o elfo monge que vive por tanto tempo que sua existência foi apagada da história. Este é o episódio mais contemplativo da obra, possuindo um dos melhores diálogos que extraio uma fala de Kraft:
"Você é jovem, eu também pensava assim. Mas agora, eu acredito na deusa do fundo do coração. Não, eu preciso que ela exista. Todos os que sabiam dos meus triunfos e dos meus atos de justiça já morreram. Então, quando eu me for, chegarei ao céu e a deusa me cumprimentará: 'meus parabéns Kraft, você teve uma vida fantástica'. Acho que vai ser assim. Você entende, não é Frieren? É muito cruel pensar que o caminho que a sua vida percorreu não seja lembrado por ninguém. Nós vivemos uma longa vida para chegar até aqui."
O episódio 12 conta a lenda falsa da espada do herói, a memória forjada para encobrir a falha de Himmel. Ele nunca foi aquele destinado para salvar o mundo, ele não passava de um herói de mentira. Mas foi o farsante anônimo que não se importou com as lendas e opiniões de terceiros que conseguiu libertar a humanidade.
Os episódios 13, 14 e 15 são a chegada do Sein, o clérigo que se junta ao grupo durante um tempo. No episódio 14 há o flashback em que Himmel entrega um anel para Frieren que encapsula a constatação do tempo entre eles. O episódio 15 introduz a ideia de trabalho em equipe. Frieren é poderosa e Sein possui poder divino, porém sozinhos eles não conseguem superar uma maldição que encontram pelo caminho, apenas quando trabalham juntos.
Os episódios 16 e 17 são a despedida de Sein. Ele se junta originalmente para procurar o amigo e no episódios 16 descobre que o local para onde precisa ir é diferente do caminho que Fern e Frieren precisam seguir. O episódio 17 é todo dedicado para a última aventura do grupo com Sein, enquanto estão presos em um vilarejo devido ao inverno.
O episódio 18 apresenta a necessidade de uma certificação para magos atravessarem certas partes do continente. A autorização é dada pela associação criada e comandada por Serie, uma grande maga elfa que foi mestra de Flamme. A obtenção do certificado segue até o final da série.
Os episódios 19, 20 e 21 são a primeira parte do exame de certificação. Novos personagens aparecerem, demonstrando a diversidade de pessoas no mundo, algumas que diferem bastante do ideal de bom que muito foi trabalhado até o momento. O primeiro teste é voltado para estratégia e batalha, sendo o episódio 21 o grande clímax em que Frieren explicitamente desafia Serie em uma batalha de ideais.
O episódio 22 é um pequeno interlúdio, no qual as pessoas que se conheceram anteriormente passam a interagir no cotidiano. Aqui temos a humanização de Wirbel e Ubel, magos que aparecem anteriormente e possuem um comportamento não padrão, que a primeira vista são considerados malignos.
Os episódios 23, 24, 25 e 26 compreendem a segunda etapa do exame de certificação, que consiste superar uma masmorra. Esta etapa é dedicada para que os novos desenvolvam a capacidade de trabalho em grupo, substituindo o uso da força pura pelo conceito de fraquezas e fortalezas. Apesar de ser algo simples, naquele momento muitos aventureiros são tomados pelo individualismo, o que pode ser uma das causas da reorganização dos sobreviventes do exército do Rei Demônio. Frieren possui um papel fundamental em repassar este conhecimento empírico sobre cooperação, desenvolvido junto de Himmel, Heiter e Eisen, mas que não foi compartilhado com outros.
O episódio 27 é outro interlúdio, em que novamente acompanhamos a vida cotidiana dos magos após a grande conquista anterior. Também é mostrado como aqueles que falharam precisam continuar as suas vidas, afinal depois da aventura surge o cotidiano.
O episódio 28 finaliza o anime com Serie assumindo pessoalmente a terceira etapa do exame de certificação. O embate filosófico entre Frieren, que busca pela cooperação, e Serie, que acredita no individualismo puro, resulta com a grande maga se surpreendendo. Existiam pessoas incríveis anônimas no mundo, que Serie jamais conseguiria encontrar se não fosse a interferência da liberdade de Frieren, ensinada por Flamme.